A chantagem do “mercado” e a paralisia da esquerda

O próximo governo de Lula-Alckmin busca aprovar a chamada PEC da Transição, para mudar o teto de gastos e viabilizar programas como o Bolsa Família, no valor de R$ 600. As mesmas empresas de mídia que apoiaram a Lava Jato, o golpe de 2016 e as reformas antipovo, que abriram caminho a Bolsonaro, já começam a colocar pressão para que o próximo governo não mexa nos lucros que rentistas, agiotas e especuladores tiveram nos últimos anos. Vamos lembrar que esses conglomerados sempre estiveram fechados com as políticas econômicas ultraliberais do “Chicago Boy” Paulo Guedes, assim como os setores do mercado financeiro que já cobram a fatura do novo governo.

Na sexta-feira, dia 11 de novembro, os principais veículos da mídia capitalista traziam manchetes como “Lula critica a ‘tal da estabilidade fiscal’, e Bolsa cai com força; dólar dispara” ou “Discurso de Lula sobre teto de gasto derruba mercados”, entre outras. Os veículos faziam referência a um discurso de Lula a parlamentares, em que ele criticou o corte de gastos sociais para cumprir metas fiscais. As declarações de Lula teriam causado um “terremoto nos mercados“, deixando “receosos” economistas e acionistas preocupados com a “responsabilidade fiscal”. Os grandes conglomerados de comunicação provam, mais uma vez, que servem como porta-vozes da Faria Lima e dos parasitas da especulação financeira.

O próximo governo de Lula-Alckmin busca aprovar a chamada PEC da Transição, para mudar o teto de gastos e viabilizar programas como o Bolsa Família, no valor de R$ 600. As mesmas empresas de mídia que apoiaram a Lava Jato, o golpe de 2016 e as reformas antipovo, que abriram caminho a Bolsonaro, já começam a colocar pressão para que o próximo governo não mexa nos lucros que rentistas, agiotas e especuladores tiveram nos últimos anos. Vamos lembrar que esses conglomerados sempre estiveram fechados com as políticas econômicas ultraliberais do “Chicago Boy” Paulo Guedes, assim como os setores do mercado financeiro que já cobram a fatura do novo governo.

Para ocupar parcialmente o poder do Estado, os setores da esquerda que encabeçam a frente ampla já vão ficando reféns das classes dominantes, tendo que barganhar cargos e ministérios com os setores liberais, de direita, que compõem sua aliança. Têm que ceder o que for possível para garantir um colchão social mínimo para manter “suportável” a exploração do Capital sobre o povo durante seu governo. Quem ganha são os capitalistas e políticos liberais como Simone Tebet e o próprio Alckmin, de olho não só nesse governo, como também nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo em que as negociações acontecem a portas fechadas, a extrema direita segue nas ruas. Mesmo com o recuo dos bloqueios das estradas, ainda há acampamentos em frente a quartéis. Como se não fosse o bastante, o Partido Militar dá sustentação ideológica a essa versão dos “galinhas verdes” do século XXI. Com declarações ambíguas, a cúpula das Forças Armadas mantém o clima de guerra psicológica contra os grupos considerados inimigos.

Tudo isso já indica qual será a dinâmica daqui para frente: o governo de coalizão da socialdemocracia rebaixada sofrendo pressão do mercado financeiro e da mídia corporativa; críticas do agronegócio preocupado com taxação de exportações e querendo mais financiamento, mais liberação de venenos e mais garantias da acumulação da propriedade privada da terra, sem nenhum avanço da reforma agrária ou de demarcações de terra; e a extrema direita ameaçando golpe e buscando avançar no campo institucional, com presença no Senado e Congresso, e nas ruas, com clima golpista constante.

Diante da composição deste cenário, a posição do campo da esquerda liderado pelo PT até agora tem sido não fazer nada, ignorar a extrema direita. Os movimentos populares vinculados ao projeto petista estão cada vez mais recuados e com suas bases praticamente desmobilizadas para colocar qualquer limite ao projeto reacionário em curso no Brasil, cada vez mais integrado com o trumpismo dos EUA. Os setores majoritários dos movimentos sociais têm atuado como “garantidores da ordem social”, seguem reproduzindo as orientações do PT de recuo e não-conflito, o que somente dá mais espaço para que a extrema direita cresça e avance cada vez mais.

Não sustentamos qualquer tipo de ilusão com a conjuntura que se abre no próximo período. Sabemos que é o povo organizado que deve colocar o nível do conflito com o Capital e com as classes dominantes. Acreditamos que o recuo e a desmobilização são péssimas escolhas políticas para a luta social. Só é possível pressionar por direitos, avançar na luta de classes e interromper o avanço da extrema direita ultraliberal com mobilização permanente, sobretudo em luta nas ruas e nos locais de trabalho.

Por isso se faz urgente neste momento a construção de uma alternativa combativa à esquerda que enfrente as classes dominantes, defendendo um programa social e classista que contemple as demandas populares, sem qualquer tipo de conciliação!