[CALC] Militarização das escolas no Paraná: fábrica pedagógica de alienação da extrema-direita

[CALC] Militarização das escolas no Paraná: fábrica pedagógica de alienação da extrema-direita

Nos dias 28 e 29 de novembro, 127 escolas da rede estadual de ensino do Paraná passaram por mais uma consulta pública para tornarem-se cívico-militares, programa implementado pelo governador Ratinho Júnior a partir 2020 e que desde então não demonstrou nenhum benefício para as comunidades escolares nas quais foi adotado, apesar das diversas mentiras propagandeadas pelo governo e apoiadores com o objetivo de obter maior adesão ao programa. Através dele, o governo avança em seu projeto de destruição da gestão democrática das escolas públicas e amplia o alcance ideológico da extrema-direita entre a população paranaense, convertendo as escolas do estado em fábricas de disseminação de alienação e de valores requeridos pelas classes dominantes. Na consulta, 83 colégios aprovaram a mudança, em uma campanha repleta de mentiras, com o aceleramento do processo.

Uma das mentiras propagandeadas diz respeito a melhorias de índices como o Ideb, que é influenciado, entre outros fatores, pela frequência escolar. No entanto, cabe ressaltar que essa suposta melhoria não se deve ao aumento da frequência escolar por parte dos estudantes, mas por algo muito diferente disso: a evasão escolar. Nas escolas cívico-militares, o ensino noturno (frequentado por estudantes com maior dificuldade de permanecer na escola, como trabalhadores) é extinto e os estudantes que não mantêm a frequência escolar almejada são excluídos, ou seja, evadem do ambiente escolar.

Além disso, as gestões desastrosas das escolas que passaram a ser cívico-militares são marcadas por muita violência e discriminação impostas aos estudantes e toda comunidade escolar. Desde que começaram a ser implantadas, se acumulam no Ministério Público do Paraná as denúncias de violências físicas, psicológicas e sexuais cometidas pelos gestores militares destas instituições.

Aqueles que frequentam esses espaços são impedidos de expressar suas singularidades – através de roupas, maquiagens, cabelos e acessórios – e suas opiniões. O processo de massificação escolar imprime uma única forma de se comportar entre os estudantes e qualquer diferenciação do padrão imposto é punido. Além disso, a destruição da gestão democrática também caracteriza esse modelo: a comunidade escolar é impedida de decidir os melhores caminhos para a escola e é imposto um regime de censura e obediência. Cabe destacar que quem só obedece é impedido de desenvolver uma consciência crítica e de compreender as influências da desigualdade social, racial, de gênero e outras na sua realidade.

O avanço da pedagogia neoliberal já é sentida em todas as escolas do estado através da imposição das plataformas digitais e das novas disciplinas do Novo Ensino Médio. A falta de diálogo do governo com a comunidade escolar é percebida através da imposição de um currículo voltado a formar sujeitos dóceis e obedientes para o mercado de trabalho. Além disso, o esvaziamento dos espaços coletivos de formação entre os profissionais da educação é mais uma marca deixada pelo governo de Ratinho Júnior nas escolas do Paraná. Todo esse autoritarismo ordenado pelo governo, que não se cansa de criar mecanismos para acabar com a liberdade de expressão e o senso crítico da população paranaense, é percebido através do alto nível de adoecimento físico e metal dos estudantes e profissionais da educação pública.

ESCOLA PÚBLICA TEM QUE SER EXPRESSÃO DA DIVERSIDADE E DEMOCRACIA DE BASE!

Lutar por uma escola crítica e diversa é construir um laboratório com potencial de fortalecer a democracia de base. As populações periféricas, pretas, indígenas, LGBTQIA+ e as mulheres não aguentam mais o silenciamento de suas culturas e a falta de direitos que é imposta pelo Estado. É necessário ampliar o debate sobre as raízes que constroem a escola de massas e ampliar o repertório cultural presente nos currículos escolares. Compreender como a estrutura escolar é construída como uma fábrica para imprimir os valores culturais das classes dominantes e destruir a diversidade é um importante passo para avançarmos na democratização das escolas e de seus currículos.

Uma sociedade justa e igualitária é construída com respeito à diversidade, apoio mútuo e solidariedade de classe. É fundamental fortalecer todos os dias a crítica sobre a violência que o sistema capitalista impõe através do Estado. Precisamos ampliar a compreensão dos mecanismos que exploram toda a classe trabalhadora e destruir todas as estruturas que reforçam na sociedade os valores do autoritarismo e da obediência cega e alienada!

TODA NOSSA REBELDIA CONTRA A IMPLEMENTAÇÃO DAS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES!

LUTAR E AMPLIAR A CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DIVERSA COM DEMOCRACIA DE BASE!


Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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